Web Bem Feita

A idéia

Desde que surgiu a idéia de um domínio próprio, me veio na cabeça a pergunta “Sobre o que eu vou escrever lá..?”. A “mensagem” em si é a mesma, temas que fazem a web mais bem feita, como usabilidade, acessibilidade, utilidade, web standards, css, interação, e é claro, teorias, muitas teorias.

O que há de novo então?

Quem se lembra na primeira pesquisa com leitores, das opções “Testes de Usabilidade e Acessibilidade” como temas que os leitores preferiam.Foram de fato os mais votados, então nesse blog teremos análises (não testes de usabilidade, apenas análises) de tudo sobre tudo dos sites que quiserem (se você quiser uma análise do seu site, mande um email para rochester_jorge [a] Yahoo . com . br ; por enquanto será esse o endereço, em breve será do próprio domínio), então para evitar que alguém tente me pegar na saída da escola, somente os sites que quiserem serão analisados e destrinchados (bonita palavra :D) de layout a código, de acessibilidade a usabilidade, passando pela utilidade, claro.

E a parte de CSS e Standards, que tenho estudado bastante e acho que já posso passar algumas coisas interessantes pra frente.

O nome

Acredite já me passaram vários nomes na cabeça. Uns muito ruins (não cheguei ao extremo de “blogdorochester.com” mas chegou bem perto). Outros muito ruins MESMO. Entre os que eu (e o meu consultor de assuntos aleatórios, o Fabiano) mais gostei foram:

  • Não Use Isso – Pelos conceitos em que será baseado, além da usabilidade, como o “humanizado” apesar da tradução ser “usá-lo”, ou seja, estudos de usabilidade SEM se basear SÓ na usabilidade, só no uso.
  • Use Isso – Mesma referência anterior, mas meu lado negro preferia o primeiro.
  • Humanizado – Novamente pela base que terá.
  • Rochester.Blog.Br – Não disse que tinha chegado perto?
  • WebBemFeita – Conceito criado desde o blog anterior, que foi sendo amadurecido, e enfim, virou o nome oficial.

O Tema

Penso em criar mais pra frente um tema novo e exclusivo, pra evitar os milhares de problemas que já tive com temas. Mas esse, por enquanto, acho que está ótimo.

Apesar das alterações restantes (alguns recursos que pretendo implementar, e arrumar a sidebar que está horrível :P), o blog novo está com este post (quase igual a esse) e em breve voltarei a escrever o de sempre, e que vier de novo.

Então, por favor, atualizem os links, assinem o novo feed (by feedburner :D) e visitem o novo blog. Os posts antigos ficarão aqui mesmo, sem link novo pro outro blog. “O que passou passou…”

Depois de 69 artigos, 240 comentários, 1444 spams e uma média de visitas razoável no fim (parece que fechar o blog da mais visitas que manter, no fim a media subiu um pouco, em cerca de 250 visitantes / dia) morre mais um blog. Mas não choraremos por isso.

Agora é oficial, Blog antigo abandonado, blog novo na área.

Rochester Oliveira. Por uma Web Bem Feita

Usável ou Humanizado?

fevereiro 20, 2007

Mais um texto no mxstudio, dessa vez explicando o tal do “Humanizado” já citado em artigos anteriores.

Obs: Esses textos que são da coluna de usabilidade do MXStudio fogem aquela idéia que eu tinha de acompanhar cada post com uma imagem 😉

Usável ou Humanizado?

Termos

Usável

Algo usável, seria algo possível de se usar. É como dizer que a comida é comível, que o tênis é calçável, que a música é ouvível. Não explica muita coisa, se é algo que eu posso interagir, é óbvio que eu posso usar.

Mas a diferença é quando se usa esse termo para especificar a facilidade de uso. E o estudo da Usabilidade possibilita essa utilização de forma mais fácil, ou seja ela passa a alcançar seu objetivo. É como dizer que além de comível, a comida é “gostosa”, o tênis é “confortável”, a música “boa”. É como se um adjetivo a mais estivesse implícito ao dizer que algo (não apenas sites, os produtos no geral sempre têm uma análise de usabilidade) além de possível de se utilizar é fácil de se utilizar, ou intuitivo, ou que não precisamos de um manual com descrições técnicas e sem sentido para tentar utilizar, basta ver e já se entende como utilizar.

Humanizado

Esse termo foi criado no intuito de descrever melhor a fácil interação de um usuário com algum objeto. Algo é Humanizado (pelas confusões que se pode ter com “humano” preferi utilizar “humanizado” na tradução, já que o próprio do título do blog dos criadores desse termo é “humanizado”) quando ela corresponde às necessidades humanas, se ela considera os erros humanos.

Defendendo o termo Humanizado

Quando algo corresponde às expectativas, possibilita que o usuário alcance seu objetivo, considera suas falhas (as prevê, e põe algo para o usuário se apoiar e conseguir entender o que está acontecendo, por que aconteceu esse erro, por que ele foi acabou caindo nesse local do site…), então é considerado algo humanizado, pois para fazer tudo isso é preciso que se conheça as necessidades do usuário, seus objetivos e suas possíveis falhas.

O termo usável em si é muito pouco explicado, apenas alguns especialistas tentam definir o que pode significar. Jakob Nielsen defende que usabilidade é quão fácil um produto (interface) é de se usar, e ainda faz uma subdivisão em outros 5 componentes, mas nunca considerando se a interface faz o que os usuários necessitam que ela faça. Por isso há interfaces “ruins” que satisfazem esses 5 pontos.

Esses conceitos são definidos e catalogados em um ramo da ciência chamado Psicologia Cognitiva, que está por perto há 50 anos, e é de onde vem essa filosofia.

Isso explica muito melhor a frustração de muitos (senão todos) usuários ao entrar em alguns sites. É muito mais difícil fazer algo “humanizado” do que algo “usável”. Pela complexidade que tem o pensamento humano. O que um usuário gosta, outros certamente não gostam. Fazer com que algo agrade ambos em algum ponto em comum que eles tenham é a grande dificuldade.

Considerações finais

Vale lembrar da importância da Utilidade do site em meio a tudo isso, e das bases no design de interação.

Depois de ler a minha opinião a respeito, leiam o texto que explica primeiro toda essa história de humanizado, e o texto traduzido, pra quem não manja de inglês.

Lembrem-se que não devemos utilizar termos sem pensar, apenas porque estão na moda, ou porque o seu cliente não sabe o que é e fica bonito falar difícil. Quando classificamos bem e definimos bem para nós mesmos algo, é bem mais fácil entender o que este isto é. Definir é o primeiro passo para entender!

That’s All 🙂

Rochester Oliveira – Coluna de Usabilidade

Para qualquer dúvida ou sugestão:

Mande um e-mail para Rochester Oliveira – rochester@mxstudio.com.br

ou visite o fórum de Usabilidade do MXStudio

Mais um artigo saindo do forno para o MXStudio, dessa vez um pouco de teoria sobre Navegabilidade, e para que serve a navegação de um site.

Navegar é preciso

Definindo as coisas

Há quem não dê a mínima importância à navegabilidade do site, apesar desse ser um fator fundamental e primário. Como eu posso alcançar meu objetivo em um site se eu não consigo navegar nele, se eu me perco facilmente? Ou pior, se eu nem sei onde está o menu? Ou se eu não tenho algum campo de busca (ou mapa de site, para os menores).

O pior erro que se pode cometer em um projeto de um site é se esquecer do usuário final. O usuário “comum” não consegue “se virar” como um “usuário avançado” (que é o grupo que se encaixam os desenvolvedores). Ele sequer está interessado em “aprender” a utilizar o seu site, pois sempre há outro site há 2 links dali.

Então é importante uma navegação clara, segura, e que cumpra os objetivos dos usuários. Parece simples e óbvio demais né? Pois então, Fazer o simples é sempre mais difícil ;D

Objetivos da navegação

Entre ajudar a encontrar o que procuramos e nos informar onde estamos, a navegação também tem várias outras funções:

  • Ela dá algo ao qual nos apoiamos – Sempre há opções de retornar, e também sempre há informações de onde estamos em uma navegação bem projetada.
  • Ela nos diz o que existe no site – Ela deixa a hierarquia do site parcialmente visível, ou seja, dá uma idéia do conteúdo que há no site.
  • Ela diz como usar o site – Em uma navegação bem projetada é dito implicitamente onde devemos começar, ou quais são os locais onde podemos encontrar o que queremos, ou mesmo pode mostrar as ferramentas e opções que há no site .
  • Ela dá confiança nas pessoas que criaram o site – A confiança que um site gera é o que pode decidir se o usuário permanece ou não nele. Se o usuário não confia em quem criou, não vai pensar em navegar muito por ali.

Conceitos básicos

Habilite o “voltar” do navegador

Esse é, com certeza, o botão mais clicado pelos usuários. Por isso tome cuidado quando algum recurso do seu site o desabilita, isso pode deixar o usuário confuso, ou frustrado (por exemplo, se ele navegou muito até chegar em um ponto, e tenta voltar apenas um nível e acaba caindo na home) e resultar em uma perda grande para seu site.

A home é o melhor lugar!

Por mais perdido que o usuário esteja em sua navegação, se você deixar fácil uma “volta ao início” as chances dele tentar recomeçar (invés de sair) são muito maiores do que se não existisse. Um bom recurso é utilizar a identificação visual do site (a logo, alguma marca, ou nome qualquer) como um link para a home, além do link sempre presente no menu principal.

Migalhas de pão \ Indicadores “Você está aqui”

Os indicadores “Você está aqui” quebram a sensação de perdido no site, por exemplo, se você entrar no site da Amazon facilmente saberá onde está através dos avisos visuais. No link que foi colocado atrás, identificamos o título do site (Amazon) a seção “books” e o subtítulo “BestSellers”, ou seja através de identificações visuais o usuário encontrou onde ele está na hierarquia do site.

Daniel de Paola na Coluna de Usabilidade já falou sobre as migalhas de pão, que são links que mostram de onde o usuário veio até chegar no ponto que ele está. A grande diferença entre esses dois indicadores é que os indicadores mostram onde você está na hierarquia geral, já as migalhas de pão mostram apenas o caminho que você faz da home a página atual (seria como “olhar um mapa” X “seguir indicações” . As indicações são mais precisas, mas com o mapa você aprende mais).

Cuidado com a profundidade

Essa é uma discussão de tempos entre os projetistas. Eu pessoalmente prefiro (quando possível, claro) uma hierarquia mais larga do que uma profunda. Uma hierarquia larga resulta em menos cliques, mas é necessário que cada clique esteja certo (vide trecho abaixo, sobre ambigüidade de links), já em uma hierarquia profunda, há menos opções por nível, mas há uma necessidade de mais cliques para se chegar ao mesmo lugar.

Não à ambigüidade em links

Já dizia o tio Steve Krug “Não importa quantas vezes eu tenha que clicar desde que cada clique seja uma escolha óbvia e não ambígua”. Mesmo que seja necessária uma profundidade maior de links, eles levem ao lugar que o usuário espera que levem. Um clássico é do produto ou serviço que alguém tenta comprar no escritório em casa, e se depara com as opções “Casa” e “Escritório” separadas. Isso obriga o usuário a pensar no que o desenvolvedor acha que se classifica o produto, e um erro significa perda de tempo e de paciência com o site.

Dê importância aos níveis mais baixos de navegação

Uma tendência que temos ao realizar um projeto é de não nos preocupar muito com os níveis mais baixos de navegação. Algumas vezes porque achamos que até chegar lá, o usuário já se acostumou com o site, outras porque achamos que o número de pessoas que chegarão aos niveis mais baixos são tão pequenos que não justificam um “trabalho” com esses níveis. Pois não é bem assim. Muitas pessoas chegam aos sites através de buscas, ou seja, já caem no meio do site, e se a navegação naquele ponto for muito confusa, provavelmente ele desistirá do site.

Considerações finais

Depois de todos os conceitos citados é hora de fazer uma auto análise “Será que o site que eu criei tem uma boa navegabilidade?”. Esses tópicos citados são um bom ponto de partida para se analisar, e ir aos poucos melhorando, e adaptando às necessidades do usuário.

Quem já leu “Não me Faça Pensar” do já citado Steve Krug, deve estar familiarizado com estes tópicos, que são muito bem falados no livro. Então recomendo a leitura, e de preferência com um bloquinho ao lado, pois há muito conteúdo interessante que se pode abordar depois, e discutir com outros profissionais.

That’s All 🙂

Rochester Oliveira – Coluna de Usabilidade

Para qualquer dúvida ou sugestão:

Mande um e-mail para Rochester Oliveira – rochester@mxstudio.com.br

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“Sites de conteúdo colaborativo têm na decisão do usuário a maneira mais prática de classificar os conteúdos. Pode ser uma solução imprecisa, mas há formas de focar mais um pouco.”
Folksonomia não apenas o usuário colocar as tags – Por Rochester Oliveira – No WebInsider

That’s All 😀

Uma palavra que anda sendo muito utilizada por aí é a tal folcsonomia, ou folksonomia, ou folksonomy, que é uma forma de classificar e organizar informações, que é usada principalmente em projetos web 2.0.

Esse método permite ao próprio usuário classificar as informações de uma forma que ELE julgue correta. Então o próprio usuário cria as “tags” que achar conveniente para uma foto, um link, um post, um podcast, ou qualquer outra informação que venha a ser classificada.

Qual é a vantagem de organizar tudo (ou uma parte da informação) dessa forma? O usuário participa na classificação na “construção” do conteúdo, na “construção” do próprio site, e de uma forma que seja mais fácil para ele recuperar essa informação (mas será que é também para os outros usuários?).

Um exemplo bom de comunidades geradas através da folcsonomia é a do WordPress (quem tem um blog aqui vai me entender) onde há a opção de navegação por tags em que você vê os posts que tiverem a mesma categoria, ou seja,você vai lendo sobre os assuntos que você mesmo escreve. Eu mesmo já achei muitos blogs bons por essa ferramenta, e quem usa WordPress e ainda não checou isso, recomendo que veja ;D.

Há muitos outros exemplos (muito) bem sucedidos que utilizam a folcsonomia ao organizar as informações que os usuários adicionam, Flickr, Delicious, technorati

Se parece ser tão bom, então qual é o problema de utilizar somente a Folcsonomia e deixar os usuários classificarem tudo? Alguém lembra do post onde eu falei que ia pra intercon na faixa? Lembram da pergunta que o Fred fez? Era sobre o problema que existe entre as esferas pública e privada na escolha de etiquetas para uma classificação folcsonômica. Ou seja, o problema que há quando se deixa o usuário classificar, pois a interpretação pessoal dele pode ser diferente da que outras pessoas pensam, que pode ser gerado por vários motivos, como vocabulário diferente em algumas regiões, sinônimos, erros simples de digitação…

A solução para isso (ao menos é o que eu e o gawry acreditamos :D) é a tal da “Folksonomia Controlada”, onde há sugestões de tags ou mesmo um dicionário de sinônimos, ou corretor ortográfico, que sugere alguma alteração para uma palavra que seja mais utilizada.

O “tchan” desse método de classificação é que vai além de separar o conteúdo em “categorias”, é a criação de comunidades (como no Flickr e WordPress), compartilhar o conteúdo, referenciar, dividir a informação… Segundo Clay Shirky é tudo aquilo que vai de encontro com os princípios básicos da Web.

That’s All 😀

Resultado da pesquisa #1

dezembro 2, 2006

Depois de algum tempo morto, eu voltei das profundezas (que cheguei lá graças as minhas queridas escolas, e os trabalhinhos) para divulgar o resultado da primeira pesquisa feita com leitores por aqui.

Como eu já esperava, o pessoal quer ver mesmo é exemplos práticos e análises sobre alguns sites, como já foi feito, por exemplo, com o tableless, o yahoo e com o orkut e hatrick.

A opção mais votada na pesquisa foi a de Análise de Usabilidade de alguns sites 25% (13 votos), então começarei a dar um pouco mais de destaque a esse tema, junto ao segundo mais votado Análise de Acessibilidade de alguns sites 22% (11 votos), que eu não esperava que fosse receber tantos votos.

A Teoria sobre Usabilidade ficou com 20% (10 votos) e é um tema que eu gosto muito, e meu último post foi dedicado a esse assunto

Design de Interação recebeu 18% (9 votos) e é um tema que era foco principal no início da blog, mas logo acabei encontrando temas mais interessantes (e quem sabe, mais úteis?) e que “agradam mais” os leitores.

Semiótica ganhou apenas 14% (7 votos), que me “assustou” pois é um tema que me “rende” mais visitas (principalmente de buscas) e que eu também gosto em especial, mas que ainda tenho MUITO o que estudar… Mas acho que é exatamente por ser algo “desconhecido” ou pouco respeitado na web que esse tema fica escondido ás vezes.

E Outros foram 2% (1 voto) que quem votou sugeriu o tema SEO (não sei se essa opção fica aberta à visualização do público) que já foi bastante abordado aqui, mas que há muito ainda que se falar.

No fim a pesquisa me ajudou um pouco a entender o que os leitores “ativos” (já que o post foi muito visualizado, mas poucos votaram) querem saber mais, e vou tentar seguir esse rumo (principalmente porque vai de encontro ao que eu gosto e quero escrever).

That’s All

Muitas pessoas chamam um bom programa/sistema de “usável”. Mas o que isto significa?

Literalmente, algo usável é algo que pode se usar. Chamar uma interface de “usável” é como chamar comida de “comível”. Falando desse modo, não se diz muito sobre a interface (ou comida) em questão.

Uma pequena modificação no termo pode nos ajudar. Chamar algo de “muito usável” , por exemplo, nos dá um pouco mais de informação: Pode significar que algo é conveniente ao uso. Mas quem realmente sabe o que isto significa? Poucas pessoas tentaram definir isto.

Jakob Nielsen fala que usabilidade é “um atributo de qualidade que define quão fácil uma interface é de se usar” e divide o conceito em outros cinco componentes. Contudo, nenhuma delas mede se a interface faz o que os usuários necessitam que ela faça, e é possível constatar interfaces ruins que satisfazem os cinco componentes. Joel Spolsky, por outro lado fala que algo é usável se comporta-se “exatamente como esperado”. Com certeza o que significa “esperado” pode ser discutido. Eu posso esperar que os itens na minha área de transferência serão perdidos se eu selecionar “Copiar” do menu “Editar” das minhas aplicações, mas isso não significa que a destruição de meus dados seja algo bom.

Há quem tente evitar as palavras “usável” ou “usabilidade” porque elas podem ser confusas e não ter significado suficiente.

Por isso eles utilizam outro termo, com uma definição clara. “Que não requer modificações, que engloba tudo”. É chamada humanizado.

Uma interface é humana se ela corresponde às necessidades humanas, e se ela considera os erros humanos.

É simples: Se sempre que você usar uma interface ela corresponder às suas necessidades considerando suas falhas, então ela é uma boa interface. Uma interface que funciona. Naturalmente isto implica em saber o que são suas necessidades e suas falhas. Mas essas definições não são criadas sem base: Esses conceitos são definidos e catalogados em um ramo da ciência chamado Psicologia Cognitiva, que está por perto há 50 anos, e é de onde vem essa filosofia.

Sempre que você se sentir frustrado com uma interface, lembre-se da definição de “humanizado” e você poderá localizar exatamente por que você está frustrado, com o que, e por que está frustração não é sua culpa. Naturalmente a maioria das pessoas não pode dizer que a maioria das interfaces que usa são humanizadas: Eu sei que não posso. Isso acontece porque a criação de algo humanizado é muito mais difícil que algo usável.

O que quer que isso signifique.

– Gostei muito dessa “filosofia” e no próximo artigo farei comentários a respeito…

// Não, essa filosofia não é minha. Apenas tive o trabalho de traduzir, adaptar e entender (esse último muito mais difícil, com certeza) o texto que explica tudo isso, do Blog Humanized, e o texto é Why “humane” is better word than “usable”

That’s All 😀

E é publicado o meu 3° artigo no Web Insider =D

Usabilidade é importante, mas utilidade é ainda mais, que é a versão “webinsideada” do Antes de tudo vem a Utilidade.

O interessante foi eu chegar e dar de cara com 3 comentários, muito bem elaborados, e um deles inclusive é falado sobre o conceito de Comunidade, inserido (para entender melhor, leia o artigo) no orkut.

Thalis Valle
07/11/2006 às 4:41 pm

Rochester,

“Por que as pessoas entram lá, mesmo conscientes destes “defeitos”?”

E quantas delas estão conscientes disso? A grande maioria são usuários domésticos, leigos sobre tecnologia e usabilidade na internet.

Para elas, o que interessa é estar “presente” na rede. É participar da comunidade.

Uma prova? Quem não tem um profile por lá, Mesmo não acessano diariamente? 🙂

Gostei muito do ponto de vista dela, mas discordo um pouco:

Rochester
07/11/2006 às 11:05 pm

[…]

Thais
eles não precisam entender da teoria pra saber que a usabilidade do sistema é ruim, ele experimentam isso… por exemplo a troca repentina do botao de “reponder topico” para o canto extremo oposto da tela atrapalhoumuita gente 😛

E muita gente reclama do orkut, mas não precisa ter base em teoria sobre o que for para falar isso 😀

é, o conceito de comunidade pegou força, mas porque se formaram comunidades lá? pq tem algo de útil para o usuário. Muitos podem visitar apenas para “estar na rede”, mas com certeza eles só mantém visitando pelas funcionalidades do sistema..

e vale lembrar que funcionalidade demais pode atrapalhar o projeto
http://www.userside.com.br/melhore_seu_site_e_perca_usuarios

That’s All 😀

Web-Bem-Feita

novembro 5, 2006

Alguns de vocês devem ter olhado o subtítulo do meu blog, ou mesmo visto comentários a respeito (com essa nomenclatura são poucos ainda) e devem ter se perguntado: “Afinal, o que é Web-Bem-Feita?”. Bem, essa é uma pergunta que nem a wikipédia sabe responder… Mas vou tentar 😀

É a aplicação de vários fatores que, como o nome diz, são sobre a criação bem feita de um site. Mas na grande maioria são conceitos, que se aplicados melhoram tanto a experiência do usuário, quanto o trabalho do Web Designer ( que fica mais fácil de atualizar, mais leve, tem mais retorno…) – e com certeza também é melhor para o cliente.

Entre as “filosofias” (pesquisas, estudos…) que são englobadas, as que eu dou mais destaque são:

  • KISS – Menos sempre é mais.
  • Usabilidade – Tornar fácil a utilização do produto.
  • Acessibilidade – Tornar fácil de acessar, não importando as condições de conexão ou plataforma do usuário.
  • Design de Interação – É o estudo de como a interface vai atingir o usuário, considerando sua experiência, entre vários outros fatores.
  • AI – Arquitetura e Organização dos elementos na página, de forma que o usuário identifique o que cada elemento deve ser, por exemplo, algo que seja um título, fica maior, com negrito, centralizado, e links de um menu ficam agrupados e com uma cor diferente.
  • SEO – A otimização dos sites para sistemas de busca (em buscas orgânicas).
  • Semiótica – Estudo através dos signos que tem como objetivo analisar como o objeto será entendido pelo usuário, o que o faz, por exemplo, clicar em um link invés de outro “semelhante”.
  • Tableless – Tabelas são para dados tabulares, não para marcação de layout.
  • Web Standards – Bem mais que uma “filosofia”, são os padrões de codificação.
  • Código semanticamente correto – Pois nem sempre a validação é tão importante.
  • Utilidade do site – Para mim é o que deve vir primeiro no planejamento.

Mas há algumas coisas que se deve tomar cuidado, como por exemplo, o uso do AJAX (apesar de programadores estarem melhorando cada vez mais, Yahoo mail nem se fala 😛 ) que se “mal utilizados” podem fazer o usuário simplesmente desistir do site, ou pior, não conseguir entrar nele. Utilizar o recurso certo no local certo,. Se um menu precisa só de css para funcionar, pra que utilizar AJAX, flash, 3D e mais um monte de coisa que só vai te dar dor de cabeça, e só vai atrapalhar o usuário?

A idéia do “bem-feito” é simples, e há quem faça assim sem dar nomes mesmo. “Mas você só usou um nome novo para definir coisas que já estamos acostumados…”, e a nomenclatura “Web 2.0” foi o quê? Quando viram que o mercado estava mudando, deram um jeito de fazer o resto dos profissionais mudarem também, então quem não mudava (ou não mudou ainda) é 1.0 , quem já fez o “upgrade” passa a ter o status de 2.0 (apesar da hipótese não desmentida de ser um golpe de marketing apenas). E muita gente ficou com medo de ter a classificação de 1.0, e passou a correr desesperadamente procurando a tal web 2.0 , para acompanhá-la, por isso muitos acreditam apenas na chance de ser uma jogada de marketing – “vamos falar que isso é melhor, que é evoluído, talvez cole”. Mas a grande diferença é que no conceito “bem-feito” são unidos aspectos “user-side” com algumas melhorias da tal Web 2.0 e outros aspectos que parecem esquecidos por muitos, como Usabilidade, Acessibilidade, SEO, Semiótica (que é muito desvalorizada na Web) e o conteúdo.

Há também várias outras “filosofias” propondo melhorias às atuais, como o divless (passando a usar listas invés de divs), e usar “humano” invés de “usável” (que transformaria usabilidade em humanilidade – acabei de criar a “tradução” 🙂 ). Cabe a nós decidirmos o que é bom para nós mesmos e para os projetos, ou o que é apenas modismo ou estratégia de marketing.

“E viva a Web-Bem-Feita”

That’s All 😀

Ao navegar no orkut (com suas novas ferramentas inclusive) vemos um produto (site) com problemas de usabilidade terríveis, razoavelmente fora dos padrões web (tá, para um site tão grande até que ele está acima da média) com acessibilidade relativamente baixa, com conteúdo extremamente fútil / inútil (você já tentou ter alguma discussão fundamentada lá? eu já, e não tive sucesso :D) que simplesmente não aparece nos sistemas de busca, é extremamente lento, e tantas outras coisas que fogem a tudo que aprendemos (ou não) como “certo”, ou “bem feito” mas que mesmo assim é tão acessado por usuários em todo o mundo (claro que no Brasil com muito mais público). Então vem um questionamento constante na minha cabeça (e acho que na de muitos de vocês também) :

Porque as pessoas entram lá, se sabem que é tão “ruim”?

É por sua utilidade. As pessoas visitam o orkut com um objetivo definido (mesmo que esse “definido” seja extremamente abrangente, e variável). Vão compartilhar experiências com outras pessoas, ler recados (e apagar os spams), visitar comunidades, criar comunidades, futricar nos perfis alheios, ver quem futricou os seus, mudar fotos no álbum, mudar o perfil de 5 em 5 minutos, passar correntes inúteis para todos os seus amigos, ler mais recados… E em todas essas tarefas apanhando da interface mal projetada (com direito a bugs no firefox e usabilidade péssima) e esperando muito para o carregamento.

E mesmo assim muitos usuários visitam pelo menos uma vez por dia.

Falo do orkut por ser o mais conhecido, mas temos muitos casos assim, como o hatrick, que só no menu bate recordes de falhas, mas também o site bate recorde de visitas (nesse site são muitas MESMO, no mundo todo), com usuários extremamente ativos (alguns com muito tempo na casa até espalhados por todo o mundo).

Não digo de forma nenhuma que devemos esquecer todo o “mundo da web bem feita” e só sair fazendo sites ruins. Digo em pensarmos na utilidade para o site, o que pode fazê-lo “grande” ou “bom”, o “algo a mais” que fará o usuário visitar o seu site, e não o site do concorrente.

O grande erro é pensar em fazer o melhor site (com todos os opcionais 2.0 😀 ) antes de pensar em como o site pode ser relevante para o usuário. Não digo que seu site vai mudar a vida do usuário, mas que terá algo interessante para ele, algo que o prenda, que o faça voltar mais vezes, indicar para amigos (afinal, a propaganda feita por um amigo é muito mais eficiente do que um link que você viu perdido em algum site e resolveu clicar).

Imagine você gastando 1 dia pra projetar o menu de uma forma que ele seja perfeito para o usuário, sem nenhuma falha, que permita a navegação 100% intuitiva, ultra-acessível (daqueles que você consegue utilizar sem mouse – e até mesmo sem teclado) com um visual clean, com direito até a ajax, mas o usuário simplesmente não clica porque não tem nada de relevante para ele ali.

Ele vê uns links parecidos com um site que ele visitou há 5 minutos durante sua busca, e logo na página em que caiu só viu um texto que não parecia ser interessante, uma imagem, tudo muito bonitinho, organizado, validado na W3C, e validado em mais algumas coisas que ele não entendeu (porque os selos de validação estavam todos amontoados em um cantinho que teoricamente só os desenvolvedores seriam capazes de reparar, mas que como o usuário é um ser curioso ele logo olhou e se frustou por não entender nada). Mas tudo inútil. Nada como aquele azul cansativo, um box amarelo falando algo que você nem pára pra ler, e a sorte de hoje repetida pela milésima vez, mas ainda sim engraçada.

Depois de pensada na utilidade do site, o seu público, onde ele vai chegar, aí sim pensamos em como fazer do melhor jeito possível (e o impossível). Pois temos que pensar sim na usabilidade no site, na navegabilidade, nos padrões web, em otimização para buscas… Mas antes de tudo, temos que pensar na utilidade do site, para que ele serve, o que ele pode agregar ao usuário, seja essa utilidade o compartilhamento de conhecimento, jogos virtuais de futebol, ou até mesmo compartilhar futilidades.

That’s All 😀